segunda-feira, 29 de agosto de 2011
TODAS AS COISAS IMENSAS ou O DINOSSAURO
sábado, 18 de setembro de 2010
Um conto de desapego
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Das novas tecnologias que dão medo.
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| Créditos da imagem: Galeria de Carola Amtmann. |
Enquanto isso, eu e você ficamos ansiosamente aguardando o próximo passo, tentando nos manter constantemente atualizados de uma forma que só a internet é capaz. Ninguém pediu nossa opinião a respeito, mas as mudanças chegaram, e continuam chegando e de nossa parte a única contribuição é se adaptar, seguir em frente. É um fato, e eu não o estou questionando, apenas estabelecendo os motivos dessa postagem. A tecnologia veio e veio pra ficar, nossa adaptação, mais do que necessária, é óbvio e a única solução. Só que apesar de tudo às vezes me assusto com a velocidade em que o novo se torna ultrapassado. Um piscar de olhos.
Um celular comprado ontem, hoje se desgasta. Já tem algo mais moderno no mercado, mais caro e com uma infinidade de vantagens desvantajosas que você na verdade nem precisa. Estamos com freqüência comprando produtos que já vêm com o prazo de validade vencido, porque embora tire foto, filme, baixe música e as reproduza, acesse a internet, tenha SMS, Bluetooth (e ainda complete as chamadas), o antigo não faz a barba*, por exemplo, mas o novo faz. O ilimitado me assusta, essa dependência tecnológica não qual vivo, e na qual acredito que você viva também.
O limite morreu. Agora são apenas as possibilidades. Todas as possibilidades. Desde a internet as coisas se expandiram para além dos olhos. Agora é possível. Mesmo que muitas vezes apenas de forma virtual, é possível. A internet é um poder onde as regras não regem, não há nenhuma padronização, acentuando essas tonalidades do invencível. Essa falta de regras prende, distorce a liberdade.
Eu estou totalmente inserido na rede, preso. Se o discador não funciona há toda uma comoção. Tenho Orkut, MSN, Skoob, e mais recentemente embarquei no Twitter, mesmo que esteja com extrema dificuldade em me adaptar a esse último; poucos caracteres que limitam, me limitam demais, já me acho bastante limitado pela natureza do meu ser e do meu estar. Embora haja sempre a possibilidade de continuar um mesmo assunto por diversos tweets, penso que isso descaracteriza a mídia. Estou constantemente diante de uma encruzilhada (drama). Ou seja, ou o limite não existe ou se apresenta em excesso, tá difícil encontrar um equilíbrio tecnológico.
No fim das contas, minha grande preocupação são os robôs.
Meu professor diz que estou estudando para ser jornalista, e o jornalista com tecnologia ou não, sempre terá campo de trabalho, trabalhamos com a informação; no papel ou na tela de um computador. Acho bonito e reconfortante, mas mesmo assim me preocupo. Semana passada, li a respeito de um robô em Tóquio. Até aí tudo bem. Mas esse não é um robô qualquer, é um robô em Tóquio que entrevista, tira fotos, pesquisa e publica matérias online. Um robô-repórter. Não gosto de robôs; tenho medo de robôs, quero que os robôs explodam. Se robôs entrevistam, daqui a pouco, eles pensam. E daí, estaremos a um passo do caos.
Gosto do moderno. Do novo. Das facilidades, de ter as coisas ao alcance da mão. E mesmo que não gostasse não haveria mais nenhuma possibilidade de se voltar atrás. O novo já chegou e não precisa da minha permissão. Só escrevo porque tenho vontade de pensar a respeito às vezes, sinto a necessidade de contar para alguém: que dá medo.
*Sentença inventada, sem nenhum embasamento científico.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Literatura: "Eu mato" - Giorgio Faletti.
“O homem é um e nenhum. Há anos carrega a cara grudada na cabeça e a sombra presa aos pés e ainda não conseguiu descobrir qual das duas pesa mais.” O inusitado assassino de “Eu mato", do italiano Giorgio Faletti, é um homem perturbado, melodramático e preso a antigas feridas que não saram. Na sua lógica perturbadora e incompreensível, ele tem a morte e a música como suas únicas saídas, únicas formas de aplacar seu sofrimento. Assim, o assassino que se auto-intitula “Ninguém” mata e desfigura os rostos de suas vítimas, deixando, sempre antes dos ataques, enigmas na forma de músicas enviadas para um programa de Rádio.
Astuto, dono de uma inteligência bem acima da média, Ninguém tece sua trama de forma soberba, confundindo e brincando com os investigadores, que pela escassez de vestígios, ficam correndo atrás de sombras, de detalhes.
Uma trama inteligente, recheada de personagens originais, apresentados de forma nua e crua, cada qual com os seus demônios à mostra. A habilidade de Faletti para traçar perfis psicológicos constrange em certos pontos de tão realista e bem feita, são indivíduos traumatizados em diversos níveis e aspectos, e as conseqüências desses traumas são expostas na história de forma magistral. Um livro sobre a loucura, a perversidade e o mal, e que ainda assim, deu espaço para o amor, a amizade, a confiança... O autor leva a velha luta entre o bem e o mal a um novo patamar, leva à luta interna, pessoal, onde os personagens estão minuto a minuto tentando anular suas próprias abominações.
Giorgio Faletti nasceu em Novembro de 1950, no Piemont. Além de escritor, é comediante, compositor, cantor e tem formação em Direito. "Eu mato" foi o seu primeiro romance, publicado em 2002 e vendeu 4 milhões de exemplares na Itália. Em seguida publicou outros Romances, entre eles: "Niente di vero tranne gli occhi", "Fuori da un eviedente destino" e Pochi Inutili nascondigli", todos eles presentes na lista dos mais vendidos.
sábado, 3 de abril de 2010
Da Nova Infância.
Créditos da imagem: Galeria de JoSGo.Bom mesmo era brincar na rua, correr, tomar banho de chuva, tocar campainha escondido, se fingir de doente na escola pra voltar pra casa e assistir Bambuluá. Bom mesmo era ter essas cumplicidades infantis, amizades inocentes, muitas delas que sucumbiram à idade e mesmo assim foram completas. Mas não se fazem mais crianças como antigamente. Não.
terça-feira, 30 de março de 2010
Cinema: "Bastardos Inglórios".
Quentin Tarantino vem produzindo uma seqüência de filmes absurdos desde a década de 90 quando alcançou rápido sucesso. No seu mais recente projeto, Bastardos Inglórios, Tarantino mostra que consegue explorar mais a fundo o inusitado e o absurdo ao apresentar uma visão totalmente inovadora de um tema tão antigo e tratado à exaustão, o Nazismo.Aldo (Brad Pitt), o Apache, comanda um grupo de soldados americanos denominados pelo exército nazista de “Bastardos Inglórios”, todos descendentes de judeus, resolvem ir para a guerra em busca de vingança à sua raça. Entre eles estão: Donny Donowitz, um soldado particularmente violento, que estraçalha a cabeça de nazistas com um taco de basebol; e Hugo Stiglitz, ex-nazista pouco eloqüente que se junta aos bastardos depois de se descobrir talentoso para a função de assassino de soldados alemães.
Enquanto isso, Shossanna Dreyfus, um judia disfarça de francesa, arquiteta o seu próprio plano pra derrubar o partido nazista. Quando tinha 17 para 18 anos, escapou da morte nas mãos de Hans Landa (tenham medo), o caçador de judeus, um detetive astuto, encarregado de encontrar e eliminar todo qualquer judeu escondido naquela França dominada pelos alemães. Agora os dois vão se ver novamente no meio da morte, mas dessa vez, ela é quem pretende estar com a arma na mão.
Personagens que se cruzam e se separam. Embora dispersos, só há dois lados, judeus e nazistas, ambos homicidas e sem escrúpulos.
Pode-se dizer que a violência grotesca comum ao roteirista ficou um pouco em segundo plano dessa vez, não se vê o derramamento de sangue de Kill Bill. De qualquer forma, há sangue, há brutalidade e há a comédia violenta de Tarantino escorrendo pela tela durante as mais de duas horas de filme. As cenas longas, os diálogos inteligentes e por vezes incompreendidos recheiam a história enrolada e os muitos personagens. Os livros de História vão considerar o final um absurdo, um ultraje, o que não deixa de ser verdade. E independente disso – ou por isso justamente – o final é a melhor parte.
P.S: Christoph Waltz interpretando Hans Landa, foi premiado como melhor ator coadjuvante no Oscar e no Globo de Ouro, e no Festival de Cannes, por melhor ator.
domingo, 28 de março de 2010
Cinema: "Código de Conduta" e "Up - Altas Aventuras"
"CÓDIGO DE CONDUTA" (LAW ABIDING CITIZEN)“Eu mato todo mundo” – diz o personagem de Gerard Butler num dos muitos diálogos geniais de “Código de Conduta”. Depois de ter sua casa invadida, sua mulher e filha assassinadas numa cena brutal nos primeiros minutos do filme, Clyde Shelton se vê injustiçado pelo sistema judiciário quando o promotor público Nick Rice (Jamie Foxx) entra num acordo com um dos assassinos, o libertando após uns poucos anos de reclusão. A inteligência e recursos ilimitados de Clyde o auxiliam num engenhoso plano a fim de pôr o sistema a baixo. Então ele mata. Mata com requintes de crueldade e uma genialidade perigosa a cada nível obscuro de seu plano aparentemente infalível. Assim, Clyde envolve o promotor Rice num perigoso jogo de acordos que se seguem a mais e mais mortes mesmo depois do assassino estar preso e isolado.
Um belo conjunto de ótimas interpretações, cenas bem montadas exprimindo a velocidade esperada do filme. E diálogos. Grandiosos diálogos que passam uma apreensão e um conjunto de pistas muito bem traçadas.
Uma fórmula comum abordada de uma nova ótica, gerando um filme fácil e interessante, que embora tenha um desfecho insatisfatório, vale a pedida.
"UP – ALTAS AVENTURAS" (UP)

O grande projeto de vida do casal Fredricksen é seguir uma vida de aventuras selvagens num paraíso perdido da América do Sul, mas o tempo vai passando, a idade se avança, tudo segue num cotidiano de casal comum para eles, até aquele dia inesquecível em que uma terrível doença leva a esposa à morte. Sozinho, Carl Fredricksen se enclausura em sua casinha, querendo se manter distante da vida e da felicidade alheia. Seu único interesse é guardar sua casa e suas lembranças. Mas o tempo, implacável mais uma vez, se passa. E a sociedade evolui, ultrapassando com seus prédios à dignidade da pequena casinha de madeira do infeliz e rabugento velho. Os empresários em seus ternos bacanas insistem continuamente para que o pobre Carl venda a sua propriedade, e ele sempre inflexível diz “não”. Mas os meios modernos, mais traiçoeiros do que ele poderia supor, conseguem ordem para enviá-lo para um asilo.
Na manhã de sua partida, Carl coloca o seu mais audacioso plano em ação, munido de centenas de balões de ar, ele parte em sua casa flutuante rumo ao desconhecido. A inesperada companhia do escoteiro Russel, de apenas 8 anos, trará de novo as aventuras da vida pro coração de um velho que já havia decidido não mais viver.
Bonito. O vencedor do prêmio de melhor animação do ano derrama-se numa carga dramática bastante incomum aos filmes que se dizem “infantis”. Indicado.






